Dona de um sorriso cativante, Alexandra Baldeh Loras desce as escadas de sua casa no bairro Jardim Europa, em São Paulo, com um elegante macacão preto, cabelos presos despretensiosamente em um coque e maquiagem natural para receber o Adoro Maquiagem. A consulesa da França tem 38 anos, está há dois no Brasil, e é daquelas mulheres que sabem o charme que tem e o usa como forma de conquistar o seu interlocutor para as ideias inteligentes – e pertinentes – que defende.

 

Casada com o cônsul geral da França, Damien Loras, de 44 anos, e mãe de Rafael, de 2, Alexandra soube conquistar seu espaço e o respeito sem ferir os valores nos quais acredita. A francesa de origem muçulmana e judaica é a única negra entre cinco irmãos. Sua mãe veio de uma rica família de industriais franceses. Já seu pai era um africano de uma tribo da República de Gâmbia e morreu quando ela tinha apenas 11 anos. “Quando pequena, era difícil entender como lidar com a supremacia de uma elite quase toda branca”, conta.

 

“Hoje vejo a riqueza que tive ao saber o que

era a discriminação e a desigualdade para entender

esse problema e lutar por essa causa”.

 

Formada em ciências políticas, com mestrado na tradicional faculdade francesa Sciences Po, em Paris, Alexandra foi apresentadora de TV durante sete anos. Largou a carreira para se dedicar à família, à maternidade e aos seus ideais. Conversamos com ela sobre direitos das mulheres e, claro, sobre a beleza que faz parte do dia a dia de todas nós. “A feminilidade da mulher é uma arma. Não temos que nos apagar”, diz Alexandra. 

 

Alexandra Loras
Adoro Maquiagem - Você se considera uma defensora dos direitos das mulheres?

Alexandra Loras – Acho que a divisão dos gêneros é algo que passa de geração em geração e precisamos mudar isso. A sociedade precisa se resgatar através da comunicação não violenta.

 

AM - Como você faz a análise desse momento em que vivemos uma falta de aceitação da pluralidade?

AL – Tem tanta riqueza em nossa diversidade racial. O mundo precisa descobrir isso dentro da pluralidade. Temos que resgatar na história que todas as representações do ser humano trouxeram algo bom. Estou na união e na ideia de incluir. Não são os brancos contra os negros ou os árabes contra os judeus. É isso que mostro em minhas palestras, no meu blog. Também estou neste momento de descoberta e de transição, deixando meu cabelo cacheado.

 
AM – Você está assumindo seus cachos?

AL – Estou. Nunca o vi ao natural. Sempre o alisei porque achava que o padrão era estar liso. Quero assumir minha negritude. É um pacto que estou fazendo comigo. Como mulher, quero ter o direito de escolher. Aos 38 anos, estou me descobrindo nesta  parte de minha identidade negra. Vejo, no Brasil, mulheres assumindo seus próprios padrões de beleza como um ato político.
 

AM – Você gosta de maquiagem?

AL  Gosto de usar todos os dias! Adoro maquiagem. Uso  sempre um primer antes de me maquiar. Nos olhos, gosto de  sombras em tons clássicos como o cinza, preto, marrom escuro e violeta. Escolho tons de rosa ou coral para os blushes e, para  complementar, um gloss. Não uso cores nos lábios.
 

AM - A maquiagem dá poder à mulher?

AL - Muito! Acho superimportante saber se colocar e se valorizar desta forma. Acho que a feminilidade da mulher é uma arma. Nós, mulheres, temos muito poder, não temos que nos apagar.

 

AM - Qual é o seu estilo?

AL - Sou mais clássica e gosto de ter sempre uma coisa original. Aqui no Brasil sou fã da estilista Gloria Coelho e de seu filho Pedro Lourenço. Mas gosto muito de mesclar com coisas de fast fashion, por exemplo. Não adepta do “bling bling”, palavra que a gente usa na França quando a pessoa só usa muito peças de marca.

 

AL - O que você diria para incentivar as mulheres a se descobrirem? 

AL - Dez anos atrás, tinha muito medo de entrar em algumas lojas porque achava que ia acontecer o mesmo da cena da personagem de Julia Roberts no filme “Uma Linda Mulher”. Conheci uma mulher que me levou em vários lugares da elite. Sempre andava com muita vergonha e ela era superexpansiva. Era árabe e mais jovem do que eu. Perguntei-lhe como fazia para se colocar desta forma. Ela me disse que era uma bobagem você achar que não era digna de estar nos melhores lugares, você precisa pensar como se fosse a proprietária do lugar. A postura e a confiança mudam. Você precisa se autorizar.

 

Alexandra Loras

 

 

 

 

 

 

 

 

Quatro coisas sobre Alexandra Loras

 

Beleza é ... – Elegância. Todas podemos ser lindas, como dizia Coco Chanel: “Não há mulheres feias, há mulheres preguiçosas”. Basta ter atitude.

 

Autoestima é... – Cada coisa positiva que você acha sobre você é a verdade e cada coisa negativa também. Você tem que escolher qual é a sua verdade.

 

Ser mãe – Amor incondicional e momento de qualidade.

 

Gosto de ser mulher... – Para poder criar. Estar no ventre de criação do mundo.

 

Adorou essa entrevista? Confira mais sobre a diversidade de beleza com a fotógrafa romena Mihaela Noroc aqui

 

Fotos: Divulgação